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segunda-feira, 22 de junho de 2009

O que é educação a distância


José Manuel Moran

jmmoran@usp.br (texto modificado)


Educação a distância é o processo de ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente.
É ensino/aprendizagem onde professores e alunos não estão normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar conectados, interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a Internet. Mas também podem ser utilizados o correio, o rádio, a televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax e tecnologias semelhantes.
Na expressão "ensino a distância" a ênfase é dada ao papel do professor (como alguém que ensina a distância). Preferimos a palavra "educação" que é mais abrangente, embora nenhuma das expressões seja perfeitamente adequada.
Hoje temos a educação presencial, semi-presencial (parte presencial/parte virtual ou a distância) e educação a distância (ou virtual). A presencial é a dos cursos regulares, em sala de aula. É o ensino convencional. A semi-presencial acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância, através de tecnologias.
A educação a distância pode ser feita nos mesmos níveis que o ensino regular. No ensino fundamental, médio, superior e na pós-graduação. É mais adequado para a educação de adultos, principalmente para aqueles que já têm experiência consolidada de aprendizagem individual e de pesquisa, como acontece no ensino de pós-graduação e também no de graduação.
As crianças, pela especificidade de suas necessidades de desenvolvimento e socialização, não podem prescindir do contato físico, da interação.
Educação a distância não é um "fast-food" em que o aluno se serve de algo pronto. É uma prática que permite um equilíbrio entre as necessidades e habilidades individuais e as do grupo - de forma presencial e virtual. Nessa perspectiva, é possível avançar rapidamente, trocar experiências, esclarecer dúvidas e inferir resultados.

http://www.eca.usp.br/prof/moran/dist.htm

domingo, 14 de junho de 2009

Conhecimento virtual - o que é?

Segundo Pedro Demo, não é correto afirmar que na internet não se reconstrói o conhecimento, muito embora, à primeira vista prevaleça neste meio a simples reprodução. O autor defende a tese de que não existe uma dicotomia entre a realidade virtual e a realidade física, entre a teleducação e a educação presencial, elas se complementam e se solidarizam, muito embora, segundo ele, seja um erro fazer educação à distância sem que haja momentos presenciais, onde professor e aluno se encontram.
Para o autor, é preciso manter sempre um olhar crítico em relação a internet, pois ela é um meio propício para a falsificação e a mercantilização dos desejos, mas não deve ser descartada como um importante meio de se comunicar, relacionar, reproduzir e recontruir conhecimento, além de ser uma importante ferramenta pedagógica a serviço da educação.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Crematório de Cérebros

Artigo publicado no jornal O Globo, no dia 27/10/2007
Cristovam Buarque *

É comum o horror diante da brutalidade de dirigentes que queimam livros e prendem ou matam intelectuais como o imperador chinês Shih Huang Ti, que, 210 anos antes de Cristo, decidiu queimar todos os livros e matar todos os estudiosos do seu império. Até hoje, a Inquisição horroriza o imaginário da humanidade pelo crime de destruir livros e matar intelectuais durante a Idade Média. Em Berlim, no campus da universidade Humboldt, há um local de reverência indignada no lugar onde Hitler queimou milhares de livros.
Mas não nos horrorizamos quando os livros são impedidos de ser escritos e os jovens de se transformarem em escritores. Indignamo-nos com a queima de livros e a prisão de escritores, mas não com a incineração de cérebros como se faz no Brasil, ao negarmos educação ao povo. Pior do que queimadores de livros, somos incineradores de cérebros que escreveriam livros, se tivessem a chance de estudar. A história do Brasil é a história do impedimento de que livros sejam escritos e de que cientistas e intelectuais floresçam.
Quando os livros são queimados, alguns se salvam. Mas se eles não são escritos, não há o que salvar. Quando os escritores se salvam, eles escrevem outros livros, mas quando não aprendem a ler, queimam-se todos os livros que poderia escrever.
O Brasil é um crematório de cérebros.
Ao nascer, cada ser humano traz o imenso potencial de um cérebro vivo e virgem. Como um poço de energia a ser ainda construído: pela educação. No Brasil, treze porcento dos adultos são analfabetos, apenas trinta e cinco porcento concluem o ensino médio; destes, só a metade tem uma educação básica com qualidade acima da média. Portanto, oitenta e dois porcento ficam impedidos de escrever, todos os livros que escreveriam são queimados antes de escritos.
Como se o Brasil fosse um imenso crematório de inteligência.
As conseqüências são perfeitamente perceptíveis: basta olhar a cara da escola pública no presente para ver a cara do País no futuro. Apesar de nossos quase 200 milhões de cérebros, o quinto maior potencial intelectual do mundo, o Brasil continuará a ser um país periférico na produção de conhecimento. Da mesma forma como a China regrediu intelectualmente depois de Shih Huang Ti; a Alemanha, com Hitler; a Península Ibérica, com a Inquisição; o Brasil está perdendo o potencial de seus cérebros interrompidos. O resultado já é visível: ineficiência, atraso, violência, desemprego, desigualdade, tolerância com a corrupção e a contravenção. Um país dividido por um muro da desigualdade que separa pobres e ricos; e separado das nações desenvolvidas.
Durante anos, falou-se no "decolar" da economia. Achava-se que para um país ter futuro bastava educar uma elite, um pequeno conjunto de profissionais superiores a serviço da economia. Formamos uma minoria no ensino superior, escolhida depois de rejeitar a imensa maioria na educação de base, e perdermos o potencial das dezenas de milhões deixadas para trás.
Ou o Brasil se educa ou fracassa; ou educamos todos ou não teremos futuro e a desigualdade continuará; ou desenvolvemos um potencial científico-tecnológico, ou ficamos para trás. Se a universidade é a fábrica do futuro, o ensino fundamental é a fábrica da universidade. Sem uma professora primária que lhe tivesse ensinado as primeiras letras e as quatro operações, Albert Einstein não teria se tornado cientista. Nossos prêmios Nobel morreram antes de aprender as quatro operações. Não podemos formar inteligências enquanto formos queimadores de cérebros. Não podemos melhorar a educação superior sem uma educação realmente universal e de qualidade para todos.
Só o pleno desenvolvimento do imenso potencial da energia intelectual dos brasileiros permitirá derrubar o muro do atraso e o muro da desigualdade. Mas isso exige que o horror que sentimos com os estrangeiros que queimavam livros e sábios, seja transferido para nós próprios, incineradores de livros que não foram escritos, de doutores que morreram analfabetos. Incineradores de cérebros.
* Professor da Universidade de Brasília, Senador pelo PDT / DF.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A pedagogia do aprender a aprender - por Newton Duarte

Segundo o DUARTE (2001), às “pedagogias do aprender a aprender” assume um posicionamento valorativo em relação aquilo que o indivíduo aprende sozinho e a aprendizagem que se dá por meio da transmissão de conhecimentos por outra pessoa, pois, aquilo que é aprendido sozinho estaria em um nível mais elevado do que a aprendizagem resultante da transmissão, desprezando assim, todos os conhecimentos produzidos histórica e socialmente.

Outra crítica do autor referente a essas pedagogias diz respeito ao seu posicionamento valorativo que afirma ser mais importante ao aluno descobrir um método de descoberta e construção de conhecimentos do que conhecer e aprender as descobertas e conhecimentos produzidos por outras pessoas.

A terceira crítica de Duarte diz respeito ao posicionamento valorativo dessas pedagogias que defendem que “a atividade do aluno, para ser verdadeiramente educativa, precisa ser impulsionada e dirigida pelas necessidades e interesses da criança”, ou seja, o aluno deve construir seu próprio método de conhecimentos impulsionado por suas necessidades e interesses.

A última crítica do autor diz respeito ao posicionamento valorativo que afirma ser necessário à educação preparar os indivíduos para a sociedade em processo acelerado de mudanças. Sendo assim, todos os conhecimentos são provisórios e, portanto, é necessário ao indivíduo aprender e se atualizar sempre se quiser evitar a defasagem em seus conhecimentos.

Trabalho apresentado na Sessão Especial intitulada Habilidades e Competências: a Educação e as Ilusões da Sociedade do Conhecimento, durante a XXIV Reunião Anual da ANPED, 8 a 11 de outubro de 2001, Caxambu, M.G. Livre docente em Psicologia da Educação, UNESP, campus de Araraquara. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar no período de junho/1999 a maio/2001, reeleito para o período de junho/2001 a maio/2003. E-mail: newton.duarte@uol.com.br